Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

LISBOA CAFÉ

 A UMA DAS FOTOS OBTIDAS, PELA DRª. MARIA EMILIA,  NO LANÇAMENTO DO "LISBOA CAFÉ", EM 08/10/2O10.

AO CENTRO O AUTOR, LADEADO, À DIREITA PELA REPRESENTANTE DA PAPIRO EDITORA, ANA LEMOS, À ESQUEDA PELA SUA FILHA, MARIA JOÃO COSTA.

A FOTOGRAFIA CHEGOU HOJE, 27/10/2010.

Daniel Costa

Terça-feira, 12 de Outubro de 2010

LISBOA CAFÉ - FINALMENTE!...

FINALMENTE!...


Lançado a 08/10/2010, o livro, cujo frontespicio da capa deixo aqui, além se poder ser pedido ao autor, poderá ser encontrado nas livrarias FNAC, ou outras, como a Bertrand. No caso de não estar nos escaparates, não deisxe de ler a obra em livro, encomende, por favor. O editor e distribuidor é a PAPIRO EDITORA. 
No  lançamento foram tiradas várias fotos, que ficaram de me enviar, o que ainda não aconteceu, em 12/10/2010. Logo que me seja possivel, serão acrescentadas ao post.

Daniel Costa (autor)

Terça-feira, 28 de Setembro de 2010

LISBOA CAFÉ - FINALMENTE!...

FINALMENTE VAI SER LANÇADO "LISBOA CAFÉ"!...




Daniel Costa

Quinta-feira, 15 de Abril de 2010

LISBOA CAFÉ

MAQUETE DA CAPA

Livro em processo de edição


Daniel Costa

Segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2010

Lisboa Café - PREFÁCIO


JOÃO MOISÉS E O AUTOR

O Jornal da amadora publicou a partir de 22 de Março de 2007 até 20 de Setembro de 2008 trinta e cinco crónicas de Daniel Costa reunidas agora no presente volume.
O seu conteúdo é permanece vivaz.
Trata-se de prosa desenvolvida em parâmetros de novela jornalística de cariz naturalista.
Oferece-nos um ideário do percurso roteiro por locais da cidade de Lisboa mas as vicissitudes são o interesse tutelar destas crónicas.
O personagem vem à cidade, processa ai a sua vida com essa inquietação no meio laboral desértico,
Estamos na década de sessenta e caídos na inevitabilidade da aventura dos horizontes ilusórios da urbe.
Moisés de longínqua descendência judaica, quiçá vinda do Oriente representa um provinciano, homem do campo, ingénuo, confinado a horizontes limitados.
Dedicado a profícuas leituras de fundo historicizante denota desde cedo um pendor apaixonado pela filatelia, o fascínio pelos selos, o significado da gravura, as cores, os símbolos.
Porém sobrepõe-se uma atracção própria irresistível por Lisboa, representativa das próprias passadas.
Vem pois à capital trazendo uma mala na mão e na outra um punhado de sonhos.
Não reflectirá a toponímia citadina um expoente de vida supremo e mais gratificante? Interroga-se.
Irá, posteriormente concluir pela negativa depara-se-lhe incompreensões, falsidades, chacota.Os interesses do dia a dia são quase sempre enganosos pois procura trabalho e a relação é a do assalariado patrão.
As peripécias que o atingem demonstram o máximo expoente da exploração patronal.
É um peão no jogo da relação laboral.
Esta é a vera imagem da urbe que João vai conhecendo em profundidade e amargamente.
Onze despedimentos e o desemprego à espreita.
Está para fora da sua terra, longe da terra - mãe e apercebe-se que vive sozinho na multidão da cidade! Perdido.
Mas este homem não se considerará jamais vencido a sua luta configura um anti - herói que resiste às vilezas do meio que oprimem e geram frustração.
Na verdade desempregado pela sétima vez atordoa-se no barulho das luzes fixando a estatuária mutilada no Largo Barão de Quintela. Reflecte muito Eça e o seu mundo.
Há pois toda uma vivência que se começa a desmoronar.
Vacila, sim, mas confia em algo. Sempre na luta titânica do seu ser emergindo uma luz lenta tomando vulto imoderadamente: o interesse filatélico de antanho.
Redescobre afinal o que sempre existira.
Uma revolução a um tempo redentora e fecunda!
O mundo dos selos, a sua relação com a história, a cronologia, a litografia, a simbologia, as artes gráficas, o cerne da filatelia, por vezes oculto.
Aqui ver perceber o seu sonho.
É uma explosão de energia e dinamismo consciente, edita, dirige e promove uma revista da especialidade. Faz pedagogia, convive com o jornalismo da especialidade, promove conferências, viaja internamente num aperfeiçoamento constante.
Realiza-se.
Para trás vai a ilusão da cidade.
Passado nebuloso e crepuscular.
Finalmente João Moisés afirma-se em toda a toda a plenitude do seu super ego.

N. 09. A N. 10

A. Y.





Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Liaboa Café


EDUCAÇÃO E FESTAS

A certa altura João Moisés, como se fosse mais um da Direcção, porque tinha certa facilidade em movimentar-se, durante o dia, a tratar de assuntos oficiais inerentes a uma Associação.
Nessa base, aceitou tratar de novos Estatutos impostos pelo Governo. Havia alterações de ordem escolar. Por várias vezes a Assembleia da Associação aprovara certas normas, que depois esbarravam no Ministério da Educação.
Até que, depois de seguidas normas do próprio Ministério, a Assembleia aprovou e foi conseguido o acordo estatal.
Restava a escritura notarial, que partiria da escrituração na respectiva secretaria. O notário da zona, como visse muito trabalho para pouco dinheiro, após várias e veementes insistências, acabou a dar por desaparecido o exemplar do texto, que tinha sido entregue por João Moisés, numa atitude pouco digna do seu posto.
Valeu ter chegado a Revolução de Abril de 1974 e aqueles estatutos deixarem de fazer sentido. Passava a bastar a aprovação interna. O notário podia continuar a ser incompetentemente impune.
As tradicionais matinées de Domingo, abrilhantadas por orquestras musicais, com lugar na sala de aula principal, donde era necessário remover todo o material escolar, como mesas e secretária, no Sábado anterior e voltar a colocar após terminar a sessão.
Havia um animador, recorria a aniversários de presentes, leilões etc. Tudo trabalho gratuito dos elementos directivos.
Era dali que advinha a maior parte do financiamento escolar e outro.
Começando a haver mais disponibilidade financeira, do que era oficialmente permitido, a uma Associação de Beneficência, como aquela era considerada, havia necessidade de fazer despesas.
Essas fizeram-se em obras de melhoramento de instalações, que começaram a modernizar-se.
Do mesmo modo, excursões e visitas de estudo para alunos, eram uma constante, festas como de fim de período, de Natal para alunos, com distribuição de brinquedos.
A complementar sessão com cantores, com palhaços, ilusionismo, tudo adequado aos mais pequenos, alunos e filhos de associados Directores, normalmente numa sala de exibição de cinema.
Houve um ano que a Rosinha esteve presente a abrilhantar. A artista era nada mais do que a conhecida artista das telenovelas, Rosa do Canto.
Também havia prémios para as professoras, o empregado da secretaria era também considerado.

Em sessão solene, um Director fazia a nomeação, o respectivo agraciado vinha ao palco receber o troféu, sendo distinguido com esfusiante salva de palmas pela assistência.
Ainda festas a assinalar o fim do ano lectivo.
Funcionaram vários passeios e almoços, para Directores a variados propósitos, onde o João Moisés, estava sempre enquadrado.

Conta da Associação, em jeito de compensação pelo muito esforço desenvolvido para o funcionamento desta.
Começaram a desvanecer-se as semanais tardes dançantes, onde começavam namoricos, alguns resultaram em casamentos.
Veio o 25 de Abril, com ele, os subsídios estatais, para as escolas do género e o financiamento ficava garantido.
O estado das coisas estava estavam a mudar, o espectro social, sofria de atitudes poucos dignas, em saneamentos adóque, como por exemplo o do conhecido jornalista e comunicador desportivo Fernando Correia.
Este enquanto nessa condição, ia frequentar o bar, que servindo de refeitório para os alunos de dia, à noite era aberto aos associados e amigos.
Passaram também pelo Bar alguns elementos, a apresentar espectáculos no Teatro a Barraca de Maria do Céu Guerra, que começara funcionar ali em frente.
Entretanto a Revista FRANQUIA ia funcionando e em 1976, João Moisés, apesar de uma experiência agradável, pediu a demissão e passou a dedicar-se apenas á sua criação e à filatelia total.

Daniel Costa

LISBOA CAFÉ CHEGOU AO FIM

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Lisboa Café



ASSOCIATIVISMO

Transversal ao trabalho regular, nas quatro últimas quatro empresas, onde exerceu funções, João Moisés, iniciou um “Part-Time”.
Ocorria o ano de 1970, em Novembro. Foi numa quase centenária Associação, das criadas nos fins da Monarquia por idealistas republicanos, com o objectivo de fazer face ao analfabetismo vigente.
Esse flagelo, durava em parte, porquanto ainda era combatido aí, com aulas para adultos, em horário pós laboral mas, as instituições, terão também servido para os anti monarquia, se reunirem a conspirar contra esta.
A associação designada “Associação Escolar de S. Mamede”, sendo o nome mais relevante dos fundadores, Luís Derouet, que foi deputado, Administrador Geral da Imprensa Nacional, Chefe de Redacção de vários jornais, nomeadamente o “Mundo”, “Manhã” e “Diário da Tarde”.
Muitas referências, o João Moisés, teria de fazer, mas deve destacar um dirigente, que conheceu, no cargo de Presidente da Assembleia Geral, o Dr. Darwin Maximiano de Vasconcelos, que ao tempo era Delegado do Ministério das Finanças junto do Teatro de S. Carlos, que tinha desempenhado altos cargos do Estado, possuindo várias condecorações inerentes.
A Associação, que nasceu com nome de “Escola dos Filhos do Povo”, no número 262 da Rua Saraiva de Carvalho, de seguida “Associação Escolar do Ensino Liberal”. Depois, por imposição da ditadura do Estado Novo, a palavra liberal, teve de ser banida e passou, definitivamente, a ter a designação actual.
Foi nas suas instalações, com entrada principal da Rua Alexandre Herculano, e com outra na Rua do Salitre, imediatamente, ao Largo do Rato, onde João Moisés exerceu o seu lugar, na secretaria.
Tinha falecido, o que fora até então detentor do cargo, um ex contabilista da Papelaria Fernandes, senhor Menendez, considerado insubstituível.
O João, sem formação na área ofereceu-se, sem pretensões, a dar ajuda para procurar assegurar um pouco, a que o trabalho não sofresse muita desorganização, enquanto não estivesse encontrado um substituto à altura.
Foi então, que o então Presidente da Direcção, tirou da cartola um mapa com a descrição dos trabalhos de secretaria necessários, que tinha conseguido de Menendez, de avançada idade, guardião muito cioso daquele cargo.
Disse:
- Se com isto, vês que tens jeito, ficarás com o lugar!...
João Moisés pensou e aceitou o desafio. Com o mapa orientador, atirou-se ao trabalho.
Algum tempo depois, seguindo o que ficara, instruções e a escrituração de todos os movimentos, o trabalho daquela secretaria, estava a voltar a razoável forma.
Apareceu o óbice, de verificar-se haver verba maior no cofre, a cargo do membro tesoureiro, do que o contabilizado.
Algo estava mal.
Apesar de João Moisés afirmar, que trabalhava com os documentos e por esses, tudo dava certo, depois de nova revisão, pacientemente voltou a rever tudo com o Presidente.
Este ficou convencido, finalmente, que o trabalho estava a ser conduzido, com certa eficácia.
Não se falou mais no assunto, nunca esquecendo a propensão, para investigar pormenores, ficou convencido, que alguém gostava da confusão, tinha-a como útil.
O objectivo principal da criação, daquela benemérita colectividade, visava o ensino destinado a classes menos favorecidas, pelo que havia métodos de angariar fundos. Para tal estavam as quotas dos associados, para ajudar a suprir despesas, visto que os custos para os encarregados de educação eram reduzidos. Por sua vez, estes eram obrigados a serem associados.
Porém o grande financiamento vinha das matinées dançantes das tardes de Domingo. Primeiro com um gira discos, depois com orquestras, sempre diferentes ao vivo, eram festas, uma das “Docas” do tempo.
Havia ainda, em Lisboa, a figura da “sopeira” de do “magala”. Alguns ainda passaram por lá.
Teria sido aí, onde se gerara a confusão de haver mais dinheiro, do que o escriturado. É que entrava na secretaria um papel com o valor apurado, depois de pagos todos os gastos inerentes. Estes não corresponderiam á realidade.
Havia, quem aproveitasse a desviar algum produto, prepotentemente, sem cuidados.
Ao abrir novo ano escolar veio a azáfama das inscrições, adstritas á escola onde funcionava a zona escolar. Feitas à noite, depois de ficar a necessária papelada, que João Moisés, ia coordenando, para entregar na zona.
E tudo correia sempre, metodicamente bem.
Um ano, o professor encarregue de receber as inscrições oficiais, embora de bom trato, parecia sempre macambúzio, género todos devem e ninguém paga, com montes de piada, diz:
- Afinal você é o pai desta gente toda?
É que só vejo a sua assinatura, como encarregado de educação!...
Em resposta a uma tentativa de esclarecimento, esboçou um ténue sorriso e exclamou:
- Não explique, o que é necessário está entregue, o outro factor a ter em conta, é o meu conhecimento pessoal, requisitos satisfeitos, porque conheço bem a escola, além do que, também a si pessoalmente!
Depois vinham os adultos, para quem só a inscrição, na escola era precisa para aceitação e elaboração de recibos mensais, tal como de todos os outros alunos.
Daniel Costa